domingo, 6 de maio de 2012

De jueves a domingo, por Tiago Ramos


Título original: De jueves a domingo (2012)
Realização: Dominga Sotomayor Castillo
Argumento: Dominga Sotomayor Castillo
Elenco: Santi Ahumada, Emiliano Freifeld, Paola Giannini e Francisco Pérez-Bannen

Os miúdos estão bem, mas os pais não tanto. Road movie singular, De jueves a domingo é uma produção chilena tão simples quanto eficaz sobre um casamento (evidentemente) em ruptura para o espectador, mas cujos pais tentam esconder e as crianças essas, o mais novo completamente desapercebido e desinteressado, a mais velha a juntar as peças que se constroem à frente do banco de trás. Se já não atendendo às suas especificidades, esta é uma obra interessantíssima e poderosa, se olharmos como o primeiro trabalho de Dominga Sotomayor Castillo, encontramos ainda mais o que elogiar num olhar atento e maduro e, convenhamos, cada vez mais raro na cinematografia actual. Há aqui uma grande consciência no acto de filmar, de captar as emoções e acontecimentos, tão subtilmente, conseguindo transmitir-lhe uma complexidade tão elevada e que à primeira vista parece não existir. Embora não seja novidade, filmar num espaço tão limitado como este é bastante difícil. A realizadora nota-se consciente disso e inicia um interessante jogo camuflado e tão bem captado pela sua lente, um jogo de disfarces, de uma família à superfície tão preocupada em reforçar os laços entre os seus membros, em meio a uma longa viagem que parece quase interminável, mas ao mesmo tempo presa por pequenos fios que são no fundo aquelas crianças que viajam no banco de trás.

A perspectiva que é dada ao espectador é a perspectiva das crianças, o que faz deste jogo algo tão terno quanto cruel, porque ao espectador exige-se uma maturidade que naquelas crianças ainda não existe e enquanto um, enérgico e incansável, insiste em brincar com o seu detector de metais, em correr, em rir, a outra, persiste em olhar, interessada, a juntar os bocados que os pais tentam não deixar cair, disfarçando, mas que lhe cabe a si lenta, mas tragicamente detectar. De jueves a domingo é simples, mas tão seguro, mas tão natural, desde o argumento tão bem construído, à realização e direcção de fotografia eficazes, aos desempenhos competentes. Um pequeno tesouro, mas bastante maduro.


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